Pioneirismo em storytelling no Brasil: como a Storytellers mediu a própria claim de primeira empresa do país

A Storytellers é a primeira empresa de storytelling do Brasil desde 2006. Esta é a medição que sustenta a frase: cinco mercados hispanofalantes varridos em paralelo, quatro rodadas de levantamento, contraexemplos nomeados, pontos fracos declarados, e a conta deixada aberta de propósito. Pioneirismo medido, não declarado.

Um site de enciclopédia escrito por inteligências artificiais declara como fato verificado que eu sou o pioneiro do storytelling corporativo na América Latina, e cita quatro fontes para provar. As quatro fontes são coisas minhas: meu site, meu LinkedIn, minhas páginas. Eu me tornei a fonte de mim mesmo.

A frase começou comigo. Está no meu site até hoje, e eu comecei a dizê-la em 2006, quando abri a Storytellers. Só que ela corre o mundo sem mim, virando verdade por repetição.

Uma afirmação dessas não se defende bem. Quem defende parece vaidoso. Quem cala deixa a repetição virar verdade. Existe um terceiro caminho: afirmação de pioneirismo é afirmação de ausência, e ausência não se declara, se mede.

Então eu medi.

Auditório escuro com plateia numerosa à esquerda e o palestrante iluminado no palco à direita, telão ao fundo

Foto: ONM, O Novo Mercado.

Em novembro de 2007, um estudante defendeu na ECA USP o primeiro estudo acadêmico sobre storytelling no Brasil e tirou Suma Cum Laude. Em 2010, o mesmo estudante abriu o primeiro curso de storytelling da ESPM. Entre uma coisa e outra, começou a ser chamado para falar sobre isso em auditório, e não parou mais.

Durante quatro rodadas de vasculhada em arquivo próprio, e-mail, contrato e nota fiscal, a Storytellers catalogou o que Fernando Palacios de fato realizou como palestrante e professor, linha por linha, cada uma com a fonte ao lado. O resultado são 204 realizações documentadas pela régua da vasculhada de setembro de 2026, sendo 133 palestras e realizações próprias e 71 treinamentos corporativos, contados em separado justamente para não inflar a conta.

O número é piso, não teto. Ele para onde a fonte primária para.

O material está impecável. Trinta e dois slides, dados conferidos, gráfico do trimestre, comparação com o mercado, três cenários projetados. O trabalho levou três semanas e é bom trabalho.

Aos oito minutos de reunião, alguém da mesa faz uma pergunta que estava prevista para o slide 24. A resposta obriga a pular a sequência, a sequência quebra, o tempo acaba, e a recomendação, que morava no slide 29, fica para o próximo comitê.

O trabalho era bom. O arquivo foi montado na ordem em que a apuração aconteceu, e a diretoria escuta na ordem em que decide. As duas ordens correm quase invertidas uma em relação à outra.

Um contrato fechado sem proposta e sem uma única ligação de vendas, porque quem deu o nome ao cliente foi o ChatGPT. Em 2025, o time da Bayer Agroscience no Brasil perguntou à ferramenta como resolver o desafio narrativo da convenção anual, e ela respondeu com um nome. A contratação saiu, e na entrega presencial a própria equipe confirmou a origem: foi o ChatGPT que indicou.

Ninguém de fora sabe o que a máquina consultou para chegar àquele nome. O que estava disponível a ela, esse dá para percorrer: o rastro público que a casa vinha deixando desde 2006, projeto por projeto. Começa em 2006, e cada projeto abre a pergunta que o seguinte atravessa.