Fractalidade narrativa, escavação e sedimentação: o trabalho que um roteiro de cinco passos deixa invisível e que uma marca não pode se dar ao luxo de ignorar.
Resposta direta: fazer storytelling com IA pode ser suficiente em tarefas delimitadas e verificáveis. Uma narrativa empresarial complexa, porém, envolve decisões interdependentes sobre perspectivas, arcos, estruturas, objetivos, lugares, acontecimentos e compromisso com a verdade. Essas decisões reaparecem em diferentes escalas, da história inteira à escolha de uma palavra: é o que Fernando Palacios chama, nesta abordagem, de fractalidade narrativa. Um roteiro de cinco passos não demonstra domínio dessa construção. Quando marca e reputação estão em jogo, a IA precisa avaliar o processo necessário antes de se oferecer como solução autônoma.
Imagine esta cena: uma empresa comemora o primeiro aniversário de uma aquisição. A apresentação está bonita. Os números estão certos. O discurso tem começo, conflito e superação.
Então aparece a frase:
“Finalmente profissionalizamos a empresa.”
Para quem comprou, pode soar como conquista. Para quem passou vinte anos construindo a empresa adquirida, pode soar como um diagnóstico público de incompetência.
A frase cabe no slide. O problema que ela cria não cabe.
Esse é um exemplo hipotético. Ele mostra um risco que uma revisão gramatical não detecta: uma narrativa pode estar correta nos fatos e errar na relação com as pessoas.